As grandes editoras estão começando a colaborar com empresas de tecnologia para que seus livros sejam usados no treinamento de modelos de inteligência artificial generativa. Recentemente, a HarperCollins, uma das maiores editoras americanas, apresentou contratos aos seus autores, permitindo que certos recursos sejam usados para aprimorar essas tecnologias.
De acordo com a editora, o acordo limita o uso de títulos específicos e garante respeito aos direitos autorais. A empresa tecnológica envolvida, cuja identidade permanece confidencial, ofereceu US$ 2.500 (aproximadamente R$ 14.530) por livro selecionado, com um contrato válido por três anos. A proposta tem gerado polêmica, com autores como Daniel Kibblesmith expressando forte exclusão.
A prática, no entanto, não é inédita. Em março, a editora Wiley vendeu acesso a conteúdos acadêmicos e profissionais por US$ 23 milhões (R$ 133 milhões) para uma empresa de tecnologia. Especialistas, como Giada Pistilli, da Hugging Face, veem avanço no reconhecimento financeiro desses conteúdos, mas lamentam a falta de representatividade dos autores nos acordos.
Esse movimento expõe desafios éticos e jurídicos. Modelos de IA, que dependem de vastas quantidades de dados da internet, frequentemente enfrentam reclamações de violação de direitos autorais. Recentemente, o The New York Times processou a OpenAI e a Microsoft por esse motivo. Enquanto isso, outras empresas de mídia optaram por firmar acordos com gigantes da tecnologia para garantir compensações.
A demanda crescente por dados para treinar modelos também sugere um esgotamento das bases atuais, levando empresas como Google e OpenAI a enfrentarem limitações em seus desenvolvimentos. Para especialistas, como Julien Chouraqui, do SNE, o progresso virá de uma abordagem colaborativa, que inclua todos os atores do mercado em um modelo ético e sustentável.
Fonte: exame.com



